Fui assistir à pré-estréia do filme Nome Próprio, de Murilo Salles, basedo nos livros Máquina de Pinball e Vida de Gato de Clarah Averbuck, numa sessão fechada para blogueiros e personagens “midiáticos”. Dessa galera, só vi comentários aqui e aqui. Ainda.

Quando saí do filme, comentei que tinha tanto gostado quanto detestado. A personagem de Leandra Leal, Camila, é realmente uma chata junkie, dada a análise precisa de Fernando Mafra. A cena do rapaz de Ribeirão Preto tentando transar com a menina completamente alcoolizada me faz lembrar como eu gostei de ter abandonado os meus vinte e poucos anos dispersos e ter entrado nos trinta e muitos mais objetivos.

Retomando, o filme tem alguns pontos fortes e o principal deles é o texto da Clarah. Aliás, um recurso que achei bem interessante - apesar de não ser inédito ou inovador - é o uso de texto escrito ou declamado no ínterim das cenas. A Camila do filme é feita de palavras, mais precisamente de verborragia caótica pós adolescente. E é essa a força e fraqueza do filme.

Me permitam uma tergiversação rápida.

Creio, piamente, que melhoramos a cada ano vivido, a cada dia sobrevivido. Creio piamente que somos um eterno processo em construção e, dada a estrada que traçamos para nós mesmos, nos tornamos caminhantes melhores. Mas o início da estrada, sinceramente, é um saco. Não consigo gostar dessa coisa meio espiral descendente, meio útero em fúria, totalmente sexo e álcool sem-noção.

Voltando ao filme, ainda que me gere antipatia o tema, o que mais me decepcionou em Nome Próprio foi o fato que ele “quase chega lá”. Tem cenas realmente muito interessantes - tomadas belíssimas, recursos estilísticos fantásticos, a Leandra Leal nua, cenas de sexo elegantes e excitantes, etc. - mas o elán que liga as cenas só começa a despertar lá pelo meio do filme, quando a gente já entendeu que a Camila é uma chata, junkie wannabe, carente, totalmente sem noção do mundo à sua volta e umbiguenta até torrar a paciência da platéia.

Ainda fico no aguardo de um texto originado em blogue que migre para uma outra mídia com eficiência.